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Jornalistas de São Tomé e Príncipe suspendem greve após assinatura de memorando

 

 

A greve iniciada na quarta-feira dia 6  pelos jornalistas de São Tomé e Príncipe foi desconvocada após a assinatura de um memorando entre o sindicato representativo da classe e o Governo são-tomense, disseram à Lusa fontes das duas partes

 

A greve, convocada por tempo indeterminado, iniciou-se às 08:00 locais (09:00 em Lisboa) e foi justificada pelo sindicato pela necessidade de uma nova grelha salarial e o estatuto da carreira.

Em declarações à imprensa, o secretário de Estado da Comunicação Social, Adelino Lucas, disse que o memorando de entendimento “responde a algumas questões que já vêm como preocupação da classe dos jornalistas e técnicos da comunicação social desde 2014”.

“É um processo que depois adormeceu”, acrescentou o governante, que disse ter sido este governo que o recuperou em 03 de maio de 2019. De lá para aqui, de facto o cenário não foi o melhor e de facto chegou o momento exato para a consumação de um projeto para uma classe social que, de facto, ao longo dos anos vem reclamando melhores condições”.

Segundo Adelino Lucas, “por um lado as condições de trabalho foram minimamente resolvidas”, mas colocava-se “a necessidade de melhorar, de facto, o rendimento das pessoas, dos profissionais da comunicação social”.

O secretário de Estado reconheceu ter sido a pressão do sindicato, da Associação Nacional de Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social e também da Comissão da Carteira Profissional que permitiu desbloquear o impasse.

“Portanto, houve uma equipa de profissionais da comunicação social que nada mais nada menos fez, senão exigir que se criem condições para que o homem esteja no centro das atenções do Governo”, declarou.

Também em declarações à imprensa, Teotónio Menezes, porta-voz do Sindicato dos Jornalistas de São Tomé e Príncipe, disse que “grosso modo” as reivindicações dos jornalistas e técnicos da comunicação social do país figuram no documento assinado.

“Digamos, de grosso modo estão espelhadas. Sabe que isso é uma luta de longa data. Concluímos uma etapa. Não se pode atingir tudo ao mesmo tempo, mas nós esperamos, o principal que é aquilo que nós conseguimos hoje, seja cumprido e vamos ao longo do tempo continuar a nossa luta com o objetivo de melhorar as condições dos profissionais, tanto as condições de cada um dos trabalhadores, como as condições laborais”, afirmou o dirigente sindical.

“Nós temos dois objetivos: o melhoramento daquilo que é a remuneração dos trabalhadores, e conseguimos chegar a um entendimento possível, e também naquilo que diz respeito à implementação do estatuto de carreira”, acrescentou.

A este respeito, Teotónio Menezes reconheceu ter havido um “pequeno retrocesso”.

“Como sabem, houve um pequeno retrocesso, mas esse memorando também espelha aquilo que é o desejo das partes em ver concluído o mais rápido possível (…) para que nós tenhamos instrumentos à mão como forma de melhor desempenharmos a nossa função”, explicou.

A assinatura do memorando marca o fim da greve, como tinha sido assumido pelo sindicato.

“A partir deste momento, um dos compromissos assumidos pela nossa parte, portanto, a parte dos profissionais da comunicação social é suspender imediatamente a greve logo após a assinatura do memorando. O memorando foi assinado, o que quer dizer que a partir desse momento a greve está suspensa”, frisou.

A convocação da greve deveu-se à falta de resposta do Governo quanto às reivindicações dos jornalistas.

No início da paralisação, em declarações à agência Lusa, o jornalista Heralce Herculano disse que os representantes da classe tinham dado ao Governo um prazo até sexta-feira passada, o qual foi estendido até terça-feira, a pedido do executivo.

“Não tendo chegado a um acordo com o Governo na ultima [terça-feira], o Governo voltou a pedir mais um tempo e nós acordámos que haveria uma reunião na  manhã, de ontem quartentre as 07:00 e as 08:00, entre o sindicato e o Governo para se chegar a um acordo quanto à nova grelha salarial da comunicação social, mas até ao momento ainda não se chegou a acordo”, disse.

E acrescentou: “Não chegando a acordo com o Governo e, como já tinha sido decidido em assembleia dos trabalhadores, a partir das 08:00 de hoje entraríamos em greve e foi isso que fizemos: Entrámos em greve e estamos em greve”.

Em São Tomé e Príncipe há cerca de 200 funcionários da comunicação social que trabalham em condições que “não são as melhores, as mais desejadas, mas também não são as piores”, destacou Heralce Herculano.

“Com o mínimo que temos é possível trabalhar e temos trabalhado o dia a dia e conseguido dar resposta aos desafios que nos são impostos. Há melhorias para serem feitas, mas enquanto não houver essas melhorias vamos aguentando com o que temos”, indicou.

Questionado sobre a liberdade de imprensa neste país africano, Heralce Herculano diz que esta existe, “em termos legais”.

E adiantou que em termos práticos, “há que melhorar mais”, embora seja “aceitável”.

“Podemos afirmar que temos liberdade de expressão”, disse.

Lusa

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