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Dezena e meia de casos de dengue registados em São Tomé e Príncipe

 

O primeiro-ministro são-tomense confirmou o registo, pela primeira vez, de casos de dengue em São Tomé e Príncipe, enquanto o Presidente da República defendeu que sejam tomadas medidas apropriadas para proteger os cidadãos e o país.

 

"Este é um assunto que verei com os representantes das instituições próprias e, como sempre, o país terá que saber lidar com a questão, tomar as medidas apropriadas para que se possa proteger não só os cidadãos - o país - e nós debelarmos essa situação", disse à Lusa o Presidente Carlos Vila Nova, afirmando ter apenas "informação não oficial" sobre a existência da dengue no país.

Momentos depois, o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, questionado pela Lusa confirmou a informação, sem avançar detalhes.

"A ministra da saúde vai-se pronunciar com maior propriedade sobre o assunto. Já começamos a registar alguns casos", afirmou Jorge Bom Jesus, no aeroporto internacional de São Tomé e Príncipe, na receção ao Presidente são-tomense no seu regresso ao país, após visita oficial de três dias à Guiné Equatorial.

Desde de quinta-feira que a Lusa solicitou a confirmação da existência de dengue ao Ministério da Saúde, mas não teve respostas.

Entretanto, uma fonte médica que pediu anonimato, disse à Lusa, que até ao momento existem "aproximadamente 15 casos, dos quais dois com necessidade de vigilância, ou seja, dengue com sinal de alarme que requer vigilância, sendo que um deles está nos cuidados intensivos".

Segundo esta fonte há casos de todas as idades, incluindo duas crianças de 08 e 11 anos, e um estrangeiro "que está nos cuidados a ser controlado", tendo estado antes na Tailândia e noutras zonas onde a dengue é endémica.

"Tudo está numa fase embrionária, estamos ainda a fazer as pesquisas, então não se tem totalmente o mapa epidemiológico, mas posso avançar que se temos 13 ou 15 casos já diagnosticados, provavelmente vem aí um surto de dengue", alertou.

Segundo a fonte contactada pela Lusa, "o país não está preparado para fazer face a este surto pelos mesmos fatores que recaíram sobre a covid-19".

"Temos profissionais de saúde, mas não temos um sistema de saúde que responda a um surto epidemiológico e dificilmente conseguimos responder a todos os casos", acrescentou, referindo que "é uma situação complexa" que o país vai ter novamente que enfrentar como enfrentou a covid-9, mas desde já "requerer que os cuidados primários de saúde se organizem" para não se atingir "uma sobrelotação e deficiência na atenção da saúde aos doentes".

Embora sem qualquer informação oficial à população, a fonte avançou que o Ministério da Saúde promoveu "uma formação de manejo de casos clínicos dos doentes com dengue, mas os profissionais estão à espera da direção dos cuidados primários" para saberem "a real situação epidemiológica", o que ainda não foi feito.

É a primeira vez que São Tomé e Príncipe regista casos de dengue, por isso a fonte ouvida pela Lusa realçou a necessidade de se manter vigilante, na medida em que "apesar de ser viral, o mecanismo de transmissão é diferente das outras patologias como a covid-19".

"Quem transmite são os mosquitos que existem em duas variedades que temos aqui no país com características diferentes [...] cada mosquito tem um raio de ação de três quilómetros e se vamos ver as características epidemiológicas dos mosquitos que temos aqui e agora a presença do vírus no ser humano, ele vai poder transmitir pessoa a pessoa, sendo que cada um poderá infetar até três pessoas", explicou.

Adiantou por isso que "há que se fazer controlo sanitário bem restrito, com vigilância dos casos porque a grande parte da transmissão acontece nos primeiros dias em que o paciente apresenta os primeiros sintomas, ou seja, quando ele está na fase febril e tem maior quantidade de vírus no organismo".

Há cerca de duas semanas que se vem estudando os casos de dengue no país, mas há mais de um mês que se têm registado pacientes com sintomas semelhantes dos que agora têm sido confirmados.

"Eu tenho a certeza que com a capacidade de resiliência que nós temos saberemos também lidar com a questão", afirmou o Presidente da República, Carlos Vila Nova. Lusa