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Pandemia travou universalidade dos serviços de saúde em Angola

Franco Mufinda falava em declarações à imprensa à margem de um ato de celebração do Dia Mundial da Cobertura Universal da Saúde, que reuniu em Luanda representantes do Ministério da Saúde angolano e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O governante angolano sublinhou que há uma necessidade cada vez maior de infraestruturas em resposta ao crescimento demográfico populacional, para o qual o Governo gizou o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM)com vista ao surgimento de postos de saúde, centros de saúde e hospitais municiais em alguns pontos de Angola, que vão surgindo.

"Contra esse facto, infelizmente, surgiu a covid-19 nos finais de 2019 que acabou por abalar todo um projeto, de per si, que era desafiante, que devemos reconhecer que ainda é desafiante a nossa saúde", referiu.

Segundo Franco Mufinda, os recursos que deviam ser dedicados exclusivamente à construção de novas infraestruturas, para a redução do impacto da malária, da tuberculose, VIH/SIDA e outras endemias da comunidade angolana, "em alguns casos, foram desviados para apoiar esta pandemia".

"Estamos a conseguir controlar [a pandemia] com o surgimento das vacinas, mas também apelando diariamente a que se observe o uso das medidas de proteção individual e coletiva, vamos colmatando esse facto, reduzir o impacto e repor os recursos a esses cuidados determinados, para se ter cada vez mais a tal universalidade propalada", salientou.

A par das infraestruturas, Franco Mufinda realçou igualmente o desafio dos recursos humanos, para as tornar mais funcionais, bem como o da tecnologia, nomeadamente o apoio ao diagnóstico e a acomodação das pessoas.

"É nisso justamente que devemos trabalhar e pensar muito", sublinhou o secretário de Estado para a Saúde Pública, realçando que a promoção da saúde é um desafio que deve envolver cada vez mais a população.

"Quando se fala em saúde é no sentido mais lato, não apenas a ausência de doenças, saúde é a economia, é o bem-estar espiritual, bem-estar social, ambiente, habitação, acesso à água, saneamento básico. Se a gente tiver esses elementos todos assentes (...) acreditamos que podemos evitar mais doenças, aí sim poder-se-á falar de saúde. Repito, saúde não é ausência de doença", disse.

Franco Mufinda defendeu também que é preciso igualmente olhar para o crescimento demográfico e discutir o modelo de financiamento.

"Temos uma saúde tendencialmente gratuita, modelo nosso, social, depois em [19]92 surge o setor privado, dá essa escolha livre à nossa população, também se traz os elementos do que é gratuito, nem sempre há uma disciplina no consumo, pensamos que é outro debate, outra discussão, acaba por ser um desafio", frisou.

O acesso aos insumos, os medicamentos "ali ao pé do utente" foram também, situações apontadas pelo governante angolano nos desafios para a universalidade da saúde em Angola.

"Há todo um trabalho para o surgimento da fábrica de medicamentos que devemos ter aqui, é um apelo que o Presidente da República deixou, devemos ter aqui, fabricar medicamentos essenciais e a especialização dos recursos humanos, esse é também outro desafio, que devemos ter pessoas especializadas para cabalmente abrir as portas e universalizar a saúde", referiu.

 

Lusa/Fim