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Coligação MCI/PS-PUN quer mais deputados para defender

 filhos da roça e da praia

A coligação Movimento de Cidadãos Independentes/Partido Socialista e Partido de Unidade Nacional (MCI/PS-PUN), concorrente às eleições legislativas de São Tomé e Príncipe no domingo, quer aumentar a representação parlamentar e defender "os filhos da roça e da praia".

"Nós estamos coligados com um objetivo único, que são os filhos da roça, os filhos da praia. Nós sabemos que os filhos da roça e os filhos da praia têm sido penalizados há 47 anos", afirmou à Lusa o presidente do MCI/PS, António Monteiro, à margem de um encontro com habitantes da localidade de Milagrosa, distrito de Mézochi (centro da ilha de São Tomé).

Segundo o líder partidário, "são os jovens que terminam o 12.º ano e continuam em casa dos pais sem fazer nenhum".

"Se os pais são agricultores, os filhos quando terminam os seus estudos dão continuidade à profissão dos pais e se os pais são pescadores, os filhos dos pescadores fazem a mesma coisa, é muito difícil. Não conseguem ter progressão social", comentou.

Num país em que 65% da população é jovem, o Movimento de Cidadãos Independentes quer "dar mais condições de educação às pessoas das roças, que estão cada vez mais abandonadas".

O movimento, que nas eleições de 2018 elegeu dois deputados, quer alcançar agora oito a 10 eleitos.

"Estamos a lutar para que os filhos da roça, os filhos de praia, sejam eleitos para estarem na Assembleia e defender o interesse da roça", disse António Monteiro.

Durante a anterior legislatura, os deputados do movimento -- mais conhecido como "movimento de Caué", no sul do país, só tinham três minutos para intervenções, insuficiente para defender os interesses do distrito mais pobre do país, com estradas muito degradadas que o deixam praticamente isolado do resto do país -- para fazer cerca de 100 quilómetros entre a capital, São Tomé, e a cidade de Porto Alegre, são necessárias cerca de três horas e só um carro tipo jipe ou carrinha pode percorrer o último terço da estrada.

"Três semanas antes da eleição foram lançar pedra [para melhorar a estrada], que já sabemos que não vamos construir, mas o próximo Governo já sabe que tem uma responsabilidade para dar a continuidade" a esse projeto, comentou.

"É por isso que nós agora queremos ver se vamos ter um maior número de deputados para termos mais tempo na Assembleia para discutirmos e debatermos sobre esse assunto", referiu António Monteiro.

Segundo o responsável, "as pessoas da roça estão a viver muito mal, péssimo" e o movimento quer lutar "para dar melhor condição de vida a essas pessoas".

A quatro dias das eleições, polarizadas entre o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD, no poder) e a Ação Democrática Independente (ADI, oposição), ambos a reclamarem maioria absoluta, o desfecho eleitoral do próximo domingo é ainda uma incógnita e nenhum dos 11 partidos e movimentos concorrentes estabeleceu qualquer coligação pré-eleitoral.

A coligação admite apoiar um ou outro partido, porque, salientou, "primeiro está a nação".

"Em São Tomé e Príncipe normalmente no decorrer das eleições ninguém contacta ninguém e só estamos um contra outro. Vamos esperar depois dessas eleições", explicou António Monteiro.

"Nós estaremos sempre disponíveis, tanto com ADI ou MLSTP, para sentarmos e conversarmos para bem do país, porque primeiro está a nação", afirmou o dirigente partidário.

António Monteiro acrescentou: "Estamos nisto, a lutar para as pessoas, portanto, é nesse aspeto que nós vamos, nós não temos problemas em coligar com um ou com outro. Para nós, os dois são iguais. Nós precisamos é que o país se desenvolva", disse.

Durante a conversa com os populares de Milagrosa, o irmão de António Monteiro, `Nino`, presidente da coligação, atacou os dois maiores partidos.

"Deem oportunidade a quem nunca governou", pediu.

"`Tá a falar, `tá a fazer`? Pelo amor de Deus, quatro anos! `Tá a fazer, `tá a matar`", disse Nino Monteiro, aludindo ao `slogan` da candidatura do primeiro-ministro e líder do MSLTP/PSD, para mostrar obra feita.

Por outro lado, criticou o líder da ADI e antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada, que esteve fora do país durante quatro anos e regressou ao país no domingo passado.

"Outro aparece, `estamos prontos`. Antes estava aonde? Mas o povo está aqui", referiu.

Cerca de 123 mil eleitores votam no domingo nas eleições legislativas, autárquicas e regional.

Lusa