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PM eleito de São Tomé quer inverter “situação financeira catastrófica” e conta “principalmente com Portugal”

O primeiro-ministro eleito de São Tomé e Príncipe quer reverter a "situação financeira catastrófica do país" e espera ajuda "principalmente de Portugal" e outros parceiros internacionais para ultrapassar a falta de divisas, que garantem apenas "dez dias de importações"

“Não há divisas no país, estamos com menos que dez dias de importação em termos de reservas e as perspetivas de podermos inverter essa situação são perspetivas que implicam certas contrapartidas”, advertiu hoje Patrice Trovoada, após ter sido recebido pelo Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova.

O líder da Ação Democrática Independente (ADI) classificou a situação financeira do país como “catastrófica” e disse que a aquisição de divisas será uma prioridade para o seu Governo, que deverá tomar posse no próximo dia 14.

“Sem reserva para a importação, não só os bens essenciais, mas os medicamentos e uma série de questões ficarão pendentes e são questões graves”, comentou Patrice Trovoada.

O futuro primeiro-ministro, que regressa ao poder após quatro anos, disse esperar poder contar com a ajuda da comunidade internacional, “principalmente de Portugal”, que disse estar “mais sensibilizado sobre esta questão”, e adiantou que também está em conversações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sem afastar o recurso a outros parceiros bilaterais e ao Banco Mundial.

“Há uma urgência que são as reservas, a situação financeira, a própria fragilidade da dobra, porque temos um acordo com Portugal e esse acordo deve respeitar regras que atualmente não estão a ser cumpridas, vamos resolver este problema primeiro”, disse Patrice Trovada.

“O financiamento do orçamento [do Estado] será a segunda prioridade, porque toda a gente gosta de fazer uns quadros com muitas despesas, mas o fundamental é encontrar recursos. Nesta fase o que pedimos à comunidade internacional é que nos apoie rapidamente para ultrapassar est questão das reservas que já não existem e depois entraremos na segunda fase que é o financiamento do orçamento (…). Não podemos pedir tudo ao mesmo tempo”, disse o líder da ADI.

Patrice Trovoada será empossado como primeiro-ministro são-tomense no dia 11 e o novo Governo toma posse três dias depois, disse hoje o próprio, após um encontro com o Presidente da República, que recebeu os outros dois partidos e uma coligação que também estarão representados na Assembleia Nacional na próxima legislatura, que se inicia na próxima terça-feira com a posse dos novos deputados.

Na semana passada, a ADI afirmou que as divisas de São Tomé “nem sequer asseguram a importação para 15 dias”, tendo o Governo cessante, liderado por Jorge Bom Jesus (Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social-Democrata) confirmado “problema ao nível das reservas internacionais líquidas que não estão dentro do mínimo exigível”.

O ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Wuando Castro, justificou a situação face “ao contexto difícil”, decorrente da “guerra da Ucrânia e da Rússia” que tem criado “sérios problemas” à economia do país, “com a inflação a subir” e os “preços dos produtos básicos que também continuam altos”.

Perante a situação, o Conselho de Ministros aprovou “uma deliberação para ativação da facilidade de crédito com Portugal, no âmbito do acordo de paridade cambial” assinado em 2010, para que haja até final do ano o incremento das “reservas líquidas e poder assim garantir alguns compromissos do Estado e poder salvaguardar a aquisição de bens de consumo para o período de natal”.

A Ação Democrática Independente (ADI), liderada pelo antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada, venceu as eleições legislativas, com maioria absoluta de 30 deputados, segundo os resultados definitivos divulgados pelo Tribunal Constitucional.

O MLSTP/PSD, do atual primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, que procurava um segundo mandato nestas eleições, recebeu 25.287 votos, equivalentes a 18 deputados.

A terceira força política no parlamento são-tomense, com cinco eleitos, será a coligação Movimento de Cidadãos Independentes — Partido Socialista / Partido de Unidade Nacional (MCI-PS/PUN, mais conhecido como ‘movimento de Caué’, distrito no sul da ilha de São Tomé), após ter tido 4.995 votos.

Mais votos, mas menos mandatos, foi o resultado do movimento Basta — que absorveu o histórico PCD e acolheu ex-membros da ADI. O Basta, que tinha como um dos cabeças de lista o presidente do parlamento, Delfim Neves, avançou pela primeira vez para as urnas e obteve um total de 6.788 votos, elegendo dois deputados.

Lusa