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PM cessante de São Tomé diz que deixa "um país melhor" e com "sentimento genuíno de dever cumprido"

 

O primeiro-ministro cessante de São Tomé e Príncipe disse hoje que deixa "um país melhor" que há quatro anos, quando assumiu a liderança de Governo, sublinhando que sai do cargo com o "sentimento genuíno de dever cumprido".

"Eu nunca poderia deixar um país igual, muita coisa mudou em São Tomé e Príncipe e, sem nenhuma pretensão, penso que deixo um país melhor. Naturalmente que as bases estão lançadas, em quatro anos não se consegue fazer tudo", afirmou Jorge Bom Jesus, numa conferência de balanço dos quatro anos do seu Governo, que foi demitido na terça-feira pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, na sequência das eleições legislativas de 25 de setembro.

Jorge Bom Jesus, presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social-Democrata (MLSTP/PSD), chefiou o executivo apoiado por um acordo após as eleições legislativas de 2018 com a coligação PCD/UDD/MDFM, que garantiu a maioria parlamentar de 28 deputados, impossibilitando a Ação Democrática Independente (ADI), que na altura tinha vencido com 25 deputados, de formar governo com apoio parlamentar.

Na nova legislatura, que teve início na terça-feira, o MLSTP/PSD estará na oposição, com 18 deputados. Jorge Bom Jesus disse que o seu partido vai "adotar uma postura construtiva" e colocar ao serviço do país "a experiência acumulada", à frente do Governo, que, "apesar de todos os solavancos chega ao fim da legislatura".

É o segundo executivo - depois do de Patrice Trovoada, entre 2014 e 2018 - que completa os quatro anos de mandato, desde a introdução do multipartidarismo, no início da década de 1990.

"Saio com este sentimento genuíno de dever cumprido, mas enquanto filho de São Tomé e Príncipe, enquanto político, mas também nas minhas lides ao nível cívico como cidadão, nós vamos dar toda a nossa contribuição para ver o nosso país melhor", afirmou Bom Jesus.

O primeiro-ministro cessante sublinhou alguns progressos feitos pelo Ggoverno em projetos "estratégicos e estruturantes" para o futuro do país, nomeadamente dos portos e do aeroporto internacional, na capital.

 "Estas ilhas, sem um aeroporto em condições, sem um porto, pelo menos acostável, sem nós podermos proteger a nossa orla costeira, hoje com as alterações climáticas [...] será muito difícil poder almejar seja que desenvolvimento for", disse Jorge Bom Jesus.

"Neste momento, o acordo de concessão para a reabilitação e modernização do porto de Ana Chaves, acoplado com o porto do Príncipe e a construção do porto de Fernão Dias está assinado, portanto esse Governo concluiu o processo", precisou o primeiro-ministro cessante, referindo-se às obras de reabilitação das duas primeiras infraestruturas e da construção de um porto de águas profundas em Fernão Dias, na ilha de São Tomé.

Quanto ao projeto de modernização do aeroporto Nuno Xavier e ampliação da pista, financiadas por Pequim, Jorge Bom Jesus disse que "o concurso está lançado na China" e acredita "que muito brevemente" haverá "resultados palpáveis", assim como com o "polémico projeto de reabilitação do Hospital Central com o fundo do Kuwait".

Jorge Bom Jesus foi eleito deputado pelo partido MLSTP/PSD, mas disse que após deixar o governo vai tirar férias por alguma semanas para estar com a família e depois avaliar se assumirá as funções no parlamento, asseguranto, no entanto, que estará no país "sempre disponível para prestar esclarecimentos, informações relativamente aos vários dossiês" que conhece.

"Penso que a estabilidade política e governativa continua a ser um imperativo para São Tomé e Príncipe, para os governos começarem e pelo menos terminarem a legislatura e o povo poder fazer a sua avaliação", afirmou.

O líder do MLSTP não excluiu uma possível recandidatura ao cargo de primeiro-ministro.

"O futuro a Deus pertence, vou continuar a trabalhar com afinco como político, mas como cidadão e da mesma forma que entrei como presidente do MLSTP/PSD e como primeiro-ministro num espírito de missão, enquanto são-tomense e no pleno usufruto dos meus direitos, continuarei a trabalhar e se um dia o país me chamar, naturalmente gente da minha estirpe tem que estar sempre talhada para entrar na roda quando for chamado", afirmou Jorge Bom Jesus.

Patrice Trovoada, líder da Ação Democrática Independente (ADI), foi nomeado primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe pelo Presidente da República são-tomense, segundo um decreto presidencial hoje publicado.

A ADI foi partido o mais votado nas eleições de 25 de setembro, conquistando maioria absoluta (30 assentos parlamentares, mais cinco que na anterior legislatura).

Segundo o decreto presidencial, a nomeação segue-se à audição dos partidos políticos pelo chefe de Estado e após a ADI ter proposto Patrice Trovoada para primeiro-ministro.

Patrice Trovoada tornou-se assim chefe do XVIII Governo Constitucional de São Tomé e Príncipe. A posse do novo primeiro-ministro está prevista para esta sexta-feira e o seu Governo toma posse na próxima segunda-feira.

Lusa