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PM cessante de São Tomé deseja "felicidades e sucessos" ao novo chefe do Governo

O primeiro-ministro cessante de São Tomé e Príncipe desejou hoje "felicidades e sucessos" ao novo chefe do executivo e disse deixar "para a história" a avaliação do seu mandato, após Patrice Trovoada denunciar "corrupção" e "decadência do país".

"Cabe aos analistas depois avaliar e a história se ocupará de tudo isto", afirmou Jorge Bom Jesus, líder do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MSLTP/PSD, segundo partido mais votado nas eleições legislativas de 25 de setembro), após assistir à tomada de posse do seu sucessor, Patrice Trovoada, no Palácio do Povo, sede da Presidência da República, na capital são-tomense.

O novo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, pediu hoje "concentração máxima" ao seu futuro Governo e aos agentes públicos para resolver vários problemas, da economia à saúde, depois de denunciar a "decadência" do país.

"Quanto ao XVIII Governo Constitucional, o tempo é de concentração máxima de todos os seus membros e os agentes do Estado na implementação das soluções que permitirão restabelecer níveis aceitáveis de reservas cambiais, pagar os salários de uma função publica pletórica, cuidar de aquilo que apenas por analogia se apelida de sistema nacional de saúde", afirmou hoje Patrice Trovoada, após prestar juramento como chefe do próximo executivo são-tomense, perante o Presidente da República, Carlos Vila Nova e outros altos representantes do Estado, bem como membros da comunidade internacional. 

Patrice Trovoada considerou que as autoridades do país foram "excelentes em todos os projetos de apoio financeiro direto ao governo", porque são "excelentes em gastar sem jamais pagar, sem contribuir e incapazes de agir no sentido de geração de riqueza".

"Em contrapartida, falhámos olimpicamente no cumprimento de todas as metas acordadas com as instituições de Bretton Woods, porque não somos disciplinados financeiramente, nem estamos dispostos a consentir esforços", sublinhou.

Patrice Trovoada lamentou "a postura, os gestos, as decisões, os discursos de última hora, bem como as festas com dinheiro público destes últimos dias", o que disse mostrar "que alguns não querem perceber a dimensão da catástrofe", mas prometeu não "perder tempo com os responsáveis pela atual situação do país",

"Continuaremos ainda durante um largo tempo a colher os frutos amargos de tudo aquilo que semeámos [...] não precisamos de grandes institutos de sondagem, nem tão pouco de reputados `bureaux` de investigação para conhecermos os mais responsáveis, os prevaricadores e os mais corruptos. O fruto podre cairá necessariamente. É a lei da natureza", afirmou Patrice Trovoada.

"Relativamente ao discurso [de Patrice Trovoada], são sempre momentos de expectativas e naturalmente conhecemos a realidade do país. Cada um tenta imprimir uma nova dinâmica e esperemos que tudo dê certo. Os sucessos do novo primeiro-ministro são sucessos de São Tomé e Príncipe e é isso que nós queremos, cada um dá a sua contribuição para o nosso desenvolvimento coletivo", disse Jorge Bom Jesus em declarações à Lusa no final da cerimónia, que contou com a presença dos outros membros dos órgãos de soberania, alguns ministros do Governo cessante, responsáveis de instituições públicas e do corpo diplomático acreditado no país.

Patrice Trovoada assume pela quarta vez o cargo de primeiro-ministro, depois de 2008, 2010-2012 e 2014-2018, após o seu partido, Ação Democrática Independente (ADI), ter vencido as legislativas com maioria absoluta (30 deputados de um total de 55 na Assembleia Nacional).

O novo primeiro-ministro dará a conhecer ao Presidente da República, Carlos Vila Nova, a sua proposta de nomes para o XVIII Governo, que tomará posse na segunda-feira.

Lusa