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O PODER DA PALAVRA
DogmatismoS
14-05-2007
- A primeira vez que ouvi falar desta palavra foi nos anos 78/79 foi com o
Presidente da
República,
Dr. Manuel Pinto da Costa quando se exprimia sobre o comportamento de alguns
dirigentes, membros do governo de então.
Aquela expressão caiu-me bem quando
aquele estadista explicou o sentido da mesma. Confesso que fiquei com a
mente rodopiando a busca do significado das palavras cuja fonética nos (des)agradam
de ouvir. Logo de partida pensa-se realmente estar a ouvir alguém com
sentido didáctico pedagógico, um professor perante os seus alunos, membros
do governo que ele mesmo dirigia e outros tantos, nós, que para uma
sociedade onde o deficit do analfabetismo era de facto ainda muito elevado,
dava para entender.
E até hoje, sinto-me
lisonjeado pelo que aprendi naquela ocasião com o tão alto professor: De
Política e de Economia, ele sabia, ele dava sempre aulas nos seus
incansáveis discursos públicos, nos mais diversos comícios da Praça Yon Gato
à Praça da Independência e outros tantos lugares do país.
Segundo o orador, durante
um dos comícios que realizava na altura, alguns membros do seu governo
tinham como tendência agarrar – se ao poder ao ponto de esquecer que a vida
não foi feita só para se estar num determinado nível. Às vezes temos que
experimentar outros níveis. E que ela tem altos e baixos. É preciso aprender
isto, mas há quem não aprende nunca, e ainda hoje temos fenómenos tão
nocivos desta natureza e comportamentos tão negativos que até hoje lesam a
pátria santomense.
Gostei de ouvir. Gostamos
certamente todos.
E gostamos tanto que ainda
hoje, costumamos ver, avaliar e tentar perceber de facto se esta situação
vai ser ou não alterada. Só que, passados todos estes anos, os pupilos e não
pupilos de Manuel Pinto da Costa não aprenderam efectivamente esta máxima, e
continuam infelizmente a ser:
Dogmáticos.
Porque em vez de se chegar
ao poder com o espírito crítico de cada realidade passada e vivida até ao
presente, pudesse dar tudo de si para uma verdadeira acção governativa, fora
de todas as vicissitudes, não! Buscam e puxam cada vez mais brasas para a
sua sardinha e pensando, isso sim, nos seus problemas pessoais e, isso não,
nos problemas gerais da população.
E quem fica sempre a perder
com isso é o país que se vê quase que permanentemente obrigado, como já
fazia o primeiro presidente, a ter que mudar sempre os elementos dos
diversos e vários governos conhecidos desde a independência até então.
Graças a Deus, o Presidente Fradique de Meneses não optou até aqui por mudar
o actual elenco governamental. Certamente não seria muito adequado ao
momento e, esperemos, que isso não venha a acontecer, e qualquer governo
cumpra o seu tempo de mandato.
No entanto, para um melhor
efeito, tomemos a liberdade de analisar a necessidade de algumas reformas,
separando o trigo do joio, pessoas que no nosso entender, desde os
primórdios da independência, não estarão a dar uma boa imagem daquilo que o
povo santomense deseja como governante. E talvez por isso, aconselhá-los,
senhores fulanos, façam outras coisas, que não só governar, porque talvez
outros possam ser também tão bons governantes ou até mesmo muito melhores do
que vossas excelências.
Em baixa crescente existem
nomes que na praça pública não gozam de nenhuma simpatia popular para lidar
com os destinos do país. Também se não houver uma verdadeira expurga dos
detentores do pelouro governativo, e dos verdadeiros membros de cada grupo
partidário, aqueles que não sabem cumprir com a sua palavra, certamente
haverá uma quebra colectiva e drástica da vontade popular perante todo o
país e perante o mundo. E isso é o que jamais queremos. Não sejamos
dogmáticos. Saibamos equacionar as nossas dificuldades e deixar ver as novas
oportunidades. Não sejamos dogmáticos.
Manuel Barreto
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