O Presidente são-tomense alertou hoje para o risco de
desaparecimento de mais de uma dezena de manifestações culturais do
arquipélago, defendendo programas de educação e sensibilização para
"garantir a continuidade destas tradições" e a sua promoção nacional
e internacionalmente.
"Um dos maiores desafios que enfrentamos atualmente é a
preservação das nossas manifestações culturais, que, por diversos motivos, têm
caído em desuso. Estas manifestações, muitas vezes relegadas ao esquecimento,
são tesouros culturais que umas já desapareceram, mas podem e merecem ser
revitalizadas", alertou Carlos Vila Nova.
O chefe de Estado são-tomense, que falava na abertura do
"Mês da Cultura são-tomense", durante o qual várias atividades
serão realizadas, defendeu "programas de educação e sensibilização que
envolvam as comunidades locais, os jovens e os especialistas em cultura, para
garantir a continuidade destas tradições".
Vila Nova considerou ser "de extrema importância"
que se faça "um esforço conjunto para identificar, documentar e revitalizar
estas manifestações culturais".
"A cultura é um organismo vivo e cabe-nos garantir que
não morra, antes floresça e evolua. Paralelamente à preservação e
revitalização, importa também cuidarmos da promoção cultural. Com efeito, a
promoção da cultura nacional é igualmente crucial para assegurar que a nossa
herança cultural seja reconhecida e valorizada, tanto a nível nacional como
internacional", sublinhou Carlos Vila Nova.
Para o Presidente são-tomense, "a promoção da cultura
nacional" não só enriquece a identidade coletiva, mas também fortalece o
sentido de pertença e orgulho, e "contribui para o desenvolvimento
económico e social, ao valorizar o turismo cultural, gerar empregos e
incentivar a produção artística e criativa".
"A iniciativa de se consagrar um mês à cultura
nacional, que já vai na sua décima primeira edição, não se traduz apenas na
exaltação das nossas artes, tradições e valores, mas é também, e talvez
sobretudo, a assunção de um compromisso com a preservação e a difusão do que
nos torna único enquanto povo", declarou Vila Nova.
Para este ano, as autoridades são-tomenses dedicaram o
mês da cultura à poetisa Alda do Espírito Santo, que nasceu a 30 de abril
de 1926 e foi hoje considerada pelo Presidente são-tomense como a
"nacionalista, educadora, formadora de gerações e um dos expoentes máximos
da poesia nacional".
"A sua obra, que transcende o tempo e nossa geografia,
inspirou gerações e reflete a alma do nosso povo. Merece um espaço de destaque
nas nossas comemorações. Estou convito de que, durante este mês, não apenas
celebraremos as múltiplas formas de expressão artística, mas também honraremos
a sua contribuição inestimável para a literatura e para a identidade cultural
de nosso país", disse Carlos Vila Nova.
A ministra da Educação, Cultura, Ciência e Ensino Superior
de São Tomé e Príncipe, Isabel de Abreu, anunciou que será realizada a primeira
Conferência Nacional sobre Alda do Espírito Santo, nos dias 29 e 30 de abril.
"O 19º Governo Constitucional tem dado passos
significativos para fortalecer o setor cultural, incluindo a criação de um
quadro legislativo robusto, que é a atualização da Carta da Política Cultural e
a submissão dos bens culturais à Unesco para reconhecimento como património
mundial. Além disso, esforços contínuos estão sendo feitos para preservar o
nosso património cultural imaterial, garantindo que as nossas tradições,
saberes e rituais sejam protegidos, transmitidos às futuras gerações",
declarou Isabel Abreu.
A governante adiantou que o mês da cultura visa,
"reconhecer e enaltecer o talento dos artistas, fazedores da cultura e
empreendedores criativos que, mesmo diante dos desafios, seguem firmes na
missão de preservar e enriquecer" a identidade cultural do arquipélago.
© Lusa
